31/08/2012 - 09:56
EBD – A perda dos bens terrenos – 02 de setembro
Texto Áureo: Jó 1.21 – Leitura Bíblica: Jó. 1.13-21
INTRODUÇÃO

Os
bens terrenos são perecíveis, essa é uma dura realidade, mas nem todos
sabem enfrentá-la. Quando as bolsas de valores caíram nos
Estados
Unidos, em 1929, várias pessoas deram cabo às suas vidas. Atualmente,
na Europa, muitos estão fazendo o mesmo, por não saberem como lidar com a
perda dos bens materiais. Na aula de hoje, veremos que os bens terrenos
são necessários, mas não devem ser o tesouro maior do cristão.
1. JÓ, AS PERDAS DE UM HOMEM DE DEUS
O livro bíblico de Jó revela a tragédia humana diante das
perdas, não apenas dos bens terrenos, mas também dos filhos e da
própria saúde. Poucas pessoas sabem, mas este é um dos livros mais
antigos da Bíblia, talvez mais recente apenas que o Gênesis. Uma das
perguntas cruciais do livro de Jó é: Se Deus é bom e amoroso, por que há
tanto sofrimento na terra? Os ateus dizem que Deus não existe com base
nessa premissa, argumentam que Ele não é bom, pois se assim fosse, não
permitiria o sofrimento. E que também não é poderoso, pois é incapaz de
resolver os problemas da humanidade. Jó, em seus discursos,
principalmente diante dos amigos, e nas orações direcionadas a Deus,
tenta encontrar respostas para o seu sofrimento. Seu maior desafio, como
o de todos aqueles que passam por situações adversas, é manter a féem
Deus. Mesmosendo um homem íntegro, Jó perdeu seu gado (Jó. 1.14-16),
seus servos (Jó. 1.15,16), seus filhos (Jó. 1.19-21). Apesar de tudo, Jó
não perdeu a fé em Deus, Ele não se deixou conduzir pelas
circunstâncias (Jó. 2.9). A confiança de Jó em Deus tornou-se um exemplo
de perseverança para os cristãos (Tg. 5.11; Rm. 15.4). Diante das
perdas materiais, Jó reconheceu que tudo provinha de Deus, inclusive a
sua riqueza, e que Ele teria o direito de requerê-la (Jó. 1.21). Essa é
uma demonstração de que seu coração não estava centrado nos bens
terrenos. Quando tinha em abundância, Jó exercitava a generosidade,
usando suas riquezas para o bem dos outros (Jó. 4.1-4; 29.12-17;
31.16-32). Tal como Jó, qualquer pessoa pode perder seus bens, a esse
respeito escreveu Salomão: “Pois o homem não conhece a sua hora. Como os
peixes que se apanham com a rede maligna, e como os passarinhos que se
prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos
homens no mau tempo, quando este lhes sobrevém de repente” (Ec. 9.12).
2. OS BENS TERRENOS SÃO PERECÍVEIS
Quando o ser humano se distancia de Deus, ele transfere sua adoração
para outrem. Jesus alertou a esse respeito quando disse que ninguém pode
servir a dois senhores. Um desses senhores, atualmente denominado de
Mercado, é Mamom, o antigo deus das riquezas (Mt. 6.24). Jesus contou
uma parábola a respeito de um rico insensato que depositou sua confiança
nas riquezas. Não sabia Ele que morreria em breve, por isso Deus o
chamou de louco (Lc. 12.20). De que adianta o homem ganhar o mundo
inteiro e perder a sua alma? (Mc. 8.36). As riquezas não podem ser
sacralizadas, Jesus ensina que o homem deve entesourar no céu (Mt.
6.20). As pessoas que devotam apenas ao acúmulo de dinheiro se tornam
escravas deste. Ao contrário do que apregoa a teologia da ganância, as
riquezas, ao invés de aproximar, podem distanciar as pessoas de Deus
(Mt. 19.22-24). O jovem rico não pode seguir a Jesus, pois, mesmo tendo
algum interesse, não foi capaz de se desvencilhar do poder das riquezas
(Lc. 18.15-30). Muitos líderes eclesiásticos estão recaindo nesse mesmo
equívoco, advogando que riqueza é sinal de espiritualidade. Há igrejas
que se fundamentam sobre o discurso do enriquecimento rápido, fácil e
imediato. Mas Paulo instrui aos obreiros do Senhor para que não desejem o
enriquecimento, mas o contentamento (I Tm. 6.6-10). O mundo valoriza
demasiadamente as riquezas porque essas criam uma ilusão de segurança.
As pessoas acreditam que o dinheiro poderá garantir uma boa vida na
terra, já que deixaram de acreditar na vida eterna. Perder dinheiro,
nesse contexto, é perder a razão de existir, já que o ter é confundido
com o ser.
3. QUANDO SE PERDE OS BENS TERRENOS
Quando o cristão perde os bens terrenos, diferentemente
daqueles que não tem esperança em Deus, ele sabe que o dinheiro não dura
para sempre, e que não traz felicidade (Sl. 49.10-12; Pv. 23.4,5;
27.24; I Tm. 6.7). Ademais, Deus é mais importante do que toda prata ou
ouro do mundo inteiro, pois, na dimensão escatológica, Ele é o dono de
tudo (Sl. 55.22), portanto, devemos lançar sobre Ele toda nossa
ansiedade (I Pe. 5.7). Como diz a letra de um hino sacro: Se você perdeu
tudo aqui, menos a fé em Deus, então você não perdeu nada. Essa é uma
valiosa verdade espiritual, pois Deus pode
trabalhar
na vida das pessoas através das perdas. Ele disse a Paulo que o Seu
poder se aperfeiçoa na fraqueza (II Co. 12.9). Há momentos que as
pessoas perdem na terra para ganhar no céu. Jó, depois de perder tudo,
recebeu em dobro da parte de Deus (Jó. 42.10-17). Isso não é uma
garantia de que acontecerá o mesmo com aqueles que decidem seguir os
caminhos de Deus. Não há, no Novo Testamento, uma promessa de riqueza
para aqueles que seguem a Cristo. No entanto, ainda que a pessoa perca
tudo, ou mesmo não tenha nada, receberá, no céu, a riqueza que não
perece (Mt. 19.27). Há promessas de galardões, a obra de cada um será
provada no fogo, e cada um receberá de acordo com o que fez, e com que
intenção (I Co. 3.10-15), pois todos comparecerão perante o Tribunal de
Cristo (II Co. 5.10). Paulo, antes da sua morte, espera, do Senhor, uma
coroa de justiça do Senhor (II Tm. 4.8). Ao invés de focarmos os bens
terrenos, precisamos estar com os olhos fitos para os céus, de lá virá
nossa recompensa (Cl. 3.1). A Cidade Celestial, conforme descrita em Ap.
21, é o lugar preparado por Jesus para todos aqueles que confiam nas
Suas palavras (Jo. 14.1).
CONCLUSÃO
A maturidade do cristão é alcançada na medida em que este se mostra
cada vez menos susceptível às intempéries da vida. Qualquer pessoa pode
passar por situações adversas, inclusive em relação aos bens terrenos. O
diferencial está na forma de reagir diante desse tipo de aflições. Ao
invés de desesperar-se, como faz a maioria das pessoas, o cristão sabe
que seu tesouro está preservado. As intempéries das bolsas de valores,
as variações do câmbio não podem afetar a fé daquele que confia no
Senhor. Os que confiam no Senhor são como o monte de Sião que não se
abala, mas permanece para sempre (Sl. 125.1).
BIBLIOGRAFIA
RHODES, R.
Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
TARRATACA, L.
Como sobreviver à crise financeira. Mogi das Cruzes: AVERBI, 2007.
José Roberto A. Barbosa